União Totvs/Datasul cria 9ª maior empresa de software de gestão do mundo

26 07 2008

Da Folha OnLine.

A oficialização da união das empresas de software de gestão Totvs e Datasul, anunciada nesta quinta-feira, coloca a nova empresa brasileira na nona posição do mercado mundial do setor, que tem como líder absoluta a alemã SAP. Com receita bruta unificada de R$ 778 milhões e carteira com mais de 21 mil clientes, a nova companhia será criada após o processo de transição que deverá durar seis meses.

No discurso, os executivos de ambas as empresas falam em união, mas na prática a Datasul será adquirida pela Totvs através da incorporações das ações. A movimentação é justificada pelo ganho de sinergia dos investimentos e mão-de-obra e ampliação da liderança regional.

Com a operação, os acionistas da Datasul vão se tornar sócios da Totvs, passando a ter 14,3% do capital social da empresa. Além disso, receberão mais R$ 480 milhões em dinheiro. Com isso, a Datasul terá o seu registro de companhia aberta cancelada e deixará de ser negociada na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo).

Para confirmar a união, foi marcada para o dia 19 de agosto a data das assembléias de acionistas das duas empresas, que deverão aceitar a proposta.

Os executivos afirmaram que não pretendem fazer demissões e devem manter os funcionários na nova empresa.

Expansão

A Datasul lidera o mercado nacional de software de gestão seguida de perto pela Totvs. O grupo que será formado deterá 38,3% do mercado brasileiro e será o segundo do setor na América Latina.

“Se nós quisermos competir no mercado de software mundial temos de ser uma grande empresa”, afirmou o presidente da Totvs, Laércio Cosentino.

O presidente do Conselho da Datasul, Miguel Abuhab, declarou que a união com a Totvs faz parte do processo de sobrevivência da empresa.

“É muito melhor a gente escolher com quem queremos crescer do que ficarmos sozinhos esperando um processo degenerativo”, avaliou Abuhab.

No mercado internacional, as duas empresas de forma separada atuam em 18 países, que respondem entre 3% e 4% da receita da nova companhia. “No mercado de software não se pode olhar só o país. É uma competição global”, afirmou Jorge Steffens, presidente da Datasul.

Na entrevista de hoje, os executivos não quiseram adiantar investimentos e planos para a nova empresa, mas deixaram claro que aquisições no mercado, principalmente internacional, estão em vistas. “Estamos no jogo de consolidação do mercado internacional”, disse Cosentino.

A Totvs é junção de oito empresas, que foi capitaneada pela Microsiga. Por sua vez, a Datasul tem no seu portifólio 10 marcas que foram adquiridas ao longo tempo. Essa “tradição” em junção de diferentes empresas é considera pelos executivos de Totvs e Datasul como positiva para o sucesso da nova união.

Concorrentes

Apesar de juntas pela administração, Totvs e Datasul continuarão concorrendo no mercado de software de gestão empresarial. “Tudo aquilo que está funcionando continuará funcionado”, disse Steffens.

A justificativa se manterem concorrentes no mercado é a diferença de atuação das empresas. Segundo os executivos, a Datasul trabalha com grandes e médias empresas enquanto a Totvs fornece produtos para médias e pequenas empresas. “Não são só os produtos [diferentes], mas a forma como você os vende. Os argumentos são diferentes”, disse Steffens.
———————————————————————————–

Comentário:

Parabéns para ambas empresas. Sem dúvida, este é um importante passo que as grandes empresas de software brasileiro devem tomar, para se consolidarem no mercado mundial.

A estratégia faz alavancar os lucros e o mais importante de tudo, garante expansão e concretização das ações nacionais em outros países, principalmente na América Latina e no mercado europeu. Hoje, ainda existe uma guerra fria muito forte entre Brasil e Índia na expansão do mercado de software.

Os indianos possuem um custo muito mais barato que o brasileiro e uma formação acadêmica mais rígida; mas a qualificação do trabalho, os fatores culturais, o melhor desenvolvimento da língua inglesa (quando aplicado) e a visão estratégica dos empresários brasileiros, faz com que as empresas nacionais apresentem grandes crescimentos anualmente e se consolidem em posições de destaque, a ponto de concorrerem com as “big bang” do mercado mundial.