O profissional de TI

27 07 2008

Dando continuidade ao nosso tema sobre “O casamento entre empresas e profissionais de TI”, tentaremos hoje identificar quem é o profissional de TI atual, quais são seus principais pontos fortes e falhas, que acabam atrapalhando ainda mais esse tão conturbado relacionamento.

Basicamente, podemos classificar o profissional de acordo com as 3 formas a seguir:
O Pré-histórico
O contemporâneo
O moderno

Antes de investigarmos cada um destes perfis mais a fundo, podemos perguntar: qual destes possui mais sucesso e garantias de trabalho? Resposta: todos eles, e nenhum deles (ao mesmo tempo).

O pré-histórico, seriam os profissionais enquadrados em tecnologias antigas (como nosso querido Cobol), ou que já possuem mais de 30 anos na área de “computação”. São profissionais extremamente caros e muito bem valorizados pelos seus conhecimentos em alta plataforma, e com uma necessidade fundamental de atuação nas grandes empresas, principalmente do setor bancário ou que trabalham diretamente com o mainframe.

Já o perfil de profissionais contemporâneos, é onde encontramos a maior quantidade. Atuantes em diversas tecnologias de mercado (java, .NET, SAP, etc), possuem bons conhecimentos gerais (principalmente em baixa plataforma), em banco de dados (seja Oracle, DB2, etc), UML e mais uma infinidade de conteúdos necessários para atuar em TI. Ocupam principalmente, as cadeiras das fábricas de software ou dos níveis de outsourcing.

O profissional moderno, é raríssimo de ser encontrado. Ele possui todas características do pré-histórico + contemporâneo, mas também tem visão de mercado. Ou seja, ele sabe exatamente o que precisa fazer para melhorar sua carreira, onde e como ele pode trazer isso para seu currículo e melhorar a estratégia da empresa (nesse caso, ambos saem ganhando). Geralmente, são pessoas que terão muito sucesso a ponto de ocuparem grandes cargos gerenciais ou na diretoria de grandes empresas.

Se temos 3 perfis, e cada um basicamente sabe o que deve fazer, porque mesmo assim podemos dizer que não há garantias de scuesso?

Tudo isso depende basicamente de como estruturar sua carreira, absorver os melhores conhecimentos nas melhores instituições e nos momentos exatos, antes mesmo que o mercado exija que você tenha. Obviamente, não estou dizendo que as universidades garantem todo o tipo de conhecimento necessário. Muito pelo contrário!

A visão empregada na grade curricular universitária, ela é apenas uma amostra do que realmente existe no mundo empresarial, e também serve de preparação para que o profissional escolha uma rota a ser seguida. Não existe possibilidade alguma, de um desenvolver Java conhecer todas as informações sobre essa tecnologia, e ao mesmo tempo ser um expert em Cobol, Mainframe, Altamira, DB2 e UML. É algo absurdo na questão tempo, e também em fatores culturais.

Primeiro que, na maioria dos casos o estudante já sai da faculdade visualizando uma carreira, construindo seus pilares iniciais. Mas isso pode ser péssimo para o mesmo, caso ele não seja cauteloso e visualize melhor as oportunidades existentes, pois tentativas fracassadas podem gerar descontentamento e concretizar uma falta de esperança onde não razão para existir.

O que realmente deve ser feito, é observar as tendências e dentro da própria, acompanhar suas metodologias, processos e formas de trabalho e, ao longo do tempo, começar a edificar a base da carreira. Muitas vezes, é necessário atuar em uma área expecífica da qual não se sinta a vontade. Porém, este é um “mal-positivo”‘, pois acaba incorporando os conhecimentos do profissional, e deixando-o mais maduro para enfrentar novos desafios.

Este, seria nosso “mundo perfeito”. Mas, qual é então nossa realidade e o porque isso acontece?

Partindo-se de várias premissas, uma das principais razões para as empresas não conseguiram preencher suas vagas, é a falta de conhecimento do profissional. Um outro ponto (e que pode ser complementar ao anteriormente apresentado), seria as instituições de ensino que possuem curso de TI, que após o boom da internet e o boom do novo milênio, começaram a aparecer como formigas, uma em cada esquina.

Estudar assuntos da área de TI no dia a dia, é algo totalmente diferente de outras milhares de áreas existentes. Digamos, por exemplo, a área médica. Claro que os avanços da tecnologia faz com os médicos sejam muito mais preparados, e procurem se atualizar em pesquisas, e etc. No entanto, a “espinha dorsal” do conhecimento é a mesma de 100 atrás. Logo, cabe a pergunta: exisita TI por acaso a 100 anos atrás? Ou até de forma mais profunda: a tecnologia de HOJE, é a mesma de ONTEM? Com certeza não, pois nesse exato momento, algum chinês, indiano ou qualquer outro garoto estrangeiro, deve estar no seu PC (ou até MAC) criando alguma coisa absurda, mas que no fim terá algum fundamento e que daqui 1 ou no máximo 2 anos irá surgir, e TODOS PROFISSIONAIS de TI deverão no mínimo, ter conhecimentos básicos.

É uma teia totalmente diferente. Nem precisamos ir mais a fundo para entendermos melhor a situação. Contudo, qual a parcela de culpa das instituições de ensino superior?

O que falta é uma forma mais adequada de preparar o estudante para o mercado de trabalho. O conhecimento técnico é extremamente importante, principalmente no início da carreira quando parte-se para o operacional (ou seja, vocë é uma máquina que faz coisas). Entretanto, se essa “máquina que pensa”, não for adequada para ocupar um posto em uma empresa onde existe a necessidade incontestável de evolução diária, o profissional irá se perder, a empresa entra em descrédito, e com isso já sabemos o fim da história.

No caso do estudante, não basta querer conhecer ao mesmo tempo milhões de coisas. O que vale, é a capacidade de se enquadrar ao mundo tecnológico, independentemente da área em que irá se atuar seja nos próximos 20 anos, ou daqui 12 meses. E para isso, é necessário determinação, cautela, e muitas vezes, quebra de barreiras ou diferenças culturais. Eis aqui, a maior parte do entrave deste relacionamento.

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No próximo post sobre este assunto, abordaremos um pouco mais o lado profissional. Qual o motivo de termos tantos profissionais mal preparados, um mercado super aquecido e um quadro evolutivo que diz que daqui alguns anos, teremos 15 mil vagas disponíveis nas empresas brasileiras de TI e Telecom.





Empresas e Profissionais de TI: Que casamento é esse?

24 07 2008

Calma Gente. Muita calma.

Sim! É conturbado, difícil, com muitas brigas e problemas sérios a serem resolvidos. Mas esse é o tipo de casamento que não pode terminar de jeito nenhum! Pois, ou a empresa vai para não sei aonde ou como diz minha amiga Heloiza, sou “realocado no mercado” (entenda como ser demitido).

Antes de apontarmos possíveis culpados nessa história, é muito importante utilizarmos da base histórica desse relacionamento e acima de tudo, conhecermos melhor cada um dos lados.

No lado como profissional, a conclusão é imediata. A área de TI tem milhares de vagas a serem preenchidas (e algumas delas com salários altíssimos), mas o que falta é a capacitação profissional. Quando tratamos de tecnologia, o conhecimento adquirido na faculdade é totalmente inválido quando você parte para o mercado de trabalho. Pois, aquela matéria que você teve no primeiro semestre simplesmente não é mais utilizada. Logo, a busca por novas informações é vital para a sobrevivência de cada profssional da área. 

Essa falta de preparação tem crescido ainda mais nos últimos anos, com a criação de cursos da área de informática em centenas de faculdades pelo país, a um custo baixíssimo (para promover a educação para todos, e o LUCRO das faculdades), mas que reflete uma realidade horrível para o profissional.

São pouquíssimas pessoas que conseguem se capacitar constantemente nas tecnologias mais atuais e principalmente, buscar novas formas inerentes a sua realidade de aprimorar conhecimentos, além de ser muito pequeno o número de estudantes que saem da faculdades preparados para trabalhar em empresas voltadas para TI e Telecom. O ritmo alucinógeno faz com que muitos estudantes, optém por áreas diferentes (como setor bancário, administrativo) já que não aguentam a carga de trabalho, a pressão, e muito menos acompanhar a evolução diariamente.

Sob o lado empresarial, a situação chega a ser de calamidade. Ao procurar profissionais no mercado para o preenchimento das vagas, é comum as seguintes situações:
1) Profissional não possui experiência
2) Profissional tem vasta experiência, mas o custo dele é altíssimo (aquém das necessidades da empresa e em muitos casos fora da realidade de mercado).

Portanto, como empresa, o que fazer?
Contratar um profissional mais barato mas que não possui experiência e arriscar o sucesso do projeto, ou investir pesadamente em recursos caros que comprometeram o custo do projeto e que também representam um risco para a empresa? (existem evidências de que quanto mais caro o profissional, maior a rotatividade dele nas empresas).

O que falta, é buscarmos soluções alternativas para esse impasse tremendo. Tanto para o lado profissional, como para o lado da empresa.

Nos próximos posts, aprofundaremos essas questões de forma mais concreta e expansiva.